setembro 17, 2008

Contemporâneo não, Vintage!

“Um novo conceito”. Quem não tem ouvido ultimamente esse slogan aplicado a algum tipo loja, principalmente de móveis? Está tão banalizado que parece deboche, simplesmente por que não se trata de novo conceito de nada e sim da mesmice de sempre. A tecnologia, a globalização, a queda de patentes de clássicos do design, o acesso a tudo que é tipo de materiais permitiu uma massificação dos produtos: todo mundo tem a mesma coisa, e o consumidor está cansado disso. Em todo lugar que vai, não importa aonde, o que vai ver são os metais brilhantes com madeira escura, os sofás tipo lounge e eletrodomésticos em inox. Qualquer grande metrópole tem as mesas lojas, as mesmas marcas, os mesmos restaurantes e casas noturnas.

Segundo matéria publicada na Folha de São Paulo, “o consumidor está cheio do presente”, ele busca agora o passado e deseja estilos indefiníveis e atemporais. Essa é uma das direções que nortearão o desenvolvimento de produtos nos próximos anos. O consumidor está cansado do aço escovado, do design arrojado, da sala vazia minimalista, do estilo contemporâneo.


De acordo com o escritório Observatório de Sinais, consultoria especializada em tendências e projeções, a nova onda que norteará o consumo em 2009 e 2010 será o “não-contemporâneo”. “Há um interesse atual por tudo que é retrô; um desejo por coisas sem tempo definido – portanto duráveis; uma tentativa de criar um jeito de viver não classificado”.

E é mesmo. Basta darmos uma olhada ao redor: as novas bases para iPod e televisões de Plasma disfarçadas no design retrô, o sucesso da música de Amy Winehouse, a moda de looks ecléticos das roupas customizadas ou achadas em brechós, a curtição de ter um Mini Cooper ou um Chrysler PT Cruiser, ou mesmo desfilar com um carro antigo, e por aí vai. Tóquio, por exemplo, possui 400 lojas de roupas vintage. Na internet, que mesmo com tantos jogos de última geração, muitos nostálgicos – como eu - esbaldam-se jogando o velho e bom (mais velho do que bom) ATARI, e cultuam décadas passadas. Inclusive o blog do Mateus publicou recentemente até post sobre o videogame com o link dos jogos.


Na terminologia, como aconteceu com as palavras “comportamento” e “atitude” (afinal o que quer dizer isso?), a classificação “contemporâneo” virou sinônimo de descartável: tudo que é inovador, que é novo, que é “clean” virou contemporâneo. É o resultado óbvio. “Virou sinônimo de sem alma, sem apelo, à beira da massificação”, diz o Observatório.


É claro que o público que está esgotado do estilo contemporâneo é um público mais bem informado, que tem acesso à lançamentos, desfiles e feiras de moda e design para conferir de perto e em primeira mão o último grito. Quem se apropriará desse estilo agora são as chamadas classe C e D brasileira, que hoje possuem um poder de consumo maior e representam 71% da população. Basta vermos que as lojas de móveis populares possuem hoje uma linha mais “contemporânea”.



O que se buscará agora é atualizar o passado ou buscar um atemporal que se distancie de modismos, recusando tudo o que não comunicar história, origem ou sentido.



Um cara que tem essa linha de pensamento há muito tempo e que não se apega a modismos é o designer Marcelo Rosenbaum, figura! Felizmente tivemos a oportunidade de conviver com ele e sua trupe do Lar Doce Lar por algumas semanas aqui no escritório, enquanto desenvolviam o trabalho pro Lar Mãe Abgail. O trabalho super autoral do Marcelo foge das casas com cara de showroom e tenta evitar que as pessoas neguem sua origem ou rejeitem memórias familiares e tradições.

Na verdade, de novo, como já dito muitas vezes neste blog, trata-se de um trabalho de educação. É como discursa o Rosenbaum: "Não podemos rejeitar nossa cultura. O dinheiro novo é tudo de bom, não tem coisa melhor que você conquistar o seu dinheiro; só não pode é negar o passado, senão você nega um futuro mais verdadeiro".

É, o vintage chegou de vez...pelo menos até 2010.

2 comentários:

paulo kielwagen disse...

adorei a bicicleta.hhehhe

Fábio Tuco disse...

Concordo plenamente, Miguel. Cada vez mais a nostalgia ou "Vintage" tá dominando, até os mais jovens que não vivenciaram as décadas passadas tão vangloriando coisas antigas. Isso tá se refletindo em td mesmo, cinema, design, moda, musica e comportamento. Parabéns pelas palavras e referências citadas mto bom. Vasculhei o meu blog e achei um post que acho que vc vai gostar. Dá 1 olhada: http://blog.celulaideias.com/index.php?page=post&pml=174 . Abraço. temos que combinar 1 encontro.