setembro 14, 2008

A Marca Brasil


Relacionando com o post anterior vale comentar sobre o - polêmico - trabalho realizado por Kiko Farkas. A Marca Brasil, criada pelo arquiteto e designer, rendeu muito o que falar após seu lançamento, em 2005. Dividiu opiniões entre os profissionais da área: seria a tradução de um país colorido e moderno? Que forma é aquela? Ou será um país sem forma? Uma ameba, talvez ? E quanto à dificuldade de aplicação da marca? Um briefing mal estruturado? Será a tipografia correta? Um trabalho bem estruturado e harmônico? Alta pregnância?

Muitos não entenderam as cores, principalmente o vermelho, que é uma homenagem às cidades históricas e festas regionais do Brasil. Outros se perguntaram o porquê de (apenas) Burle Marx no briefing? Qual o sentido disso? Seria o paisagista a tradução do nosso país. Comparando com o caso de outros países, estaria a marca da España melhor resolvida por representar muito bem a cultura do país europeu? Na internet até de "fraude" a marca foi taxada.


Bem ou mal, o fato é que não deve ter sido nada fácil elaborar uma marca para um país como o Brasil. Como traduzir num simbolo gráfico ou definir uma tipografia para uma nação de diversidades culturais e naturais tão diferentes entre si? Somos o frio, o calor, o deserto, a neve, o mar, o lago, os rios, a natureza, a seca, o rock, o axé, a chula, o samba, o reggae, somos o Cristo Redentor, o Pelourinho, o índio, o branco, o negro, o alemão, o espanhol, o húngaro, o japonês, ...




A Marca Brasil começou de um plano de marketing turístico internacional chamado Plano Aquarela, o primeiro na história do país, para representar a imagem do turismo brasileiro no mundo inteiro, assim como a imagem de seus principais atributos de exportação. O concurso para a escolha da nova marca foi coordenado pela Embratur, em conjunto com a Associação de Designers Gráficos, a Secom (Secretaria de Comunicação de Governo e Gestão Estratégica) e a Apex (Agência de Promoção de Exportações), com a consultoria do catalão Josep Chias, que trabalhou na concepção da célebre marca espanhola. O designer Kiko Farkas, da Máquina Estúdio, foi o ganhador, depois de uma seleção entre cinco finalistas de 37 escritórios de design inscritos. Além do suporte técnico, a ADG garantiu o envolvimento da sociedade no processo.

Os Cinco finalistas: Cauduro Martino (SP), GAD Design (RS, RJ, SP), Máquina Estúdio (SP), Oz Design (SP) e VCR Comunicação (MA). Todos os designers selecionados receberam um briefing completo. Então, foram solicitadas duas sugestões de marcas aos participantes: uma de concepção livre e outra inspirada numa aquarela feita em 1938 pelo artista plástico e paisagista Roberto Burle Marx para os jardins do palácio Gustavo Capanema, antiga sede do Ministério da Cultura no Rio de Janeiro, marco da arquitetura moderna em todo o mundo. Além disso, sua filosofia deveria ser: Alegria; Sinuosidade/curva (da natureza, do caráter do povo); Luminosidade/brilho/exuberância; Híbrido / encontro de culturas/raças; Moderno/competente.




Para Farkas, a marca Brasil foi a mais importante que já fez: “É algo que fica. O desafio foi pensar o Brasil e representá-lo numa linguagem moderna, pensando a arte e o design em termos mundiais”.

Segundo o designer, a marca não tem fisicidade. “É aberta para cada pessoa ver uma coisa. Ela provoca uma sensação de alegria, luminosidade, transparência, com a palavra Brasil em destaque, utilizando uma tipologia moderna que transmite seriedade e confiabilidade”, explica. A marca Brasil evitou caminhos folclorizantes, que não dessem a idéia de um país dinâmico e moderno. Assim, ao invés de destacar aspectos consagrados da cultura brasileira, como o café, a culinária, o futebol ou a música popular, partiu-se para uma abstração que transmitisse esses e outros aspectos. “Não podíamos destacar pontos ou características específicas do país, como o futebol, por exemplo. Tínhamos de embutir também o conceito de modernidade e tecnologia.”, diz Frakas

A nova marca foi desenvolvida em pouco mais de 20 dias. Segundo o estúdio vencedor “O desenho tem muitas cores e formas fechadas. No projeto, enfatizamos as curvas, a sinuosidade, que, como forma, expressam o Brasil e representam o aconchego. Nas cores, trabalhamos com indicações, apontadas em pesquisas com os turistas, que associavam o verde às nossas florestas; o amarelo, à luz e ao calor; o azul aos céus e às águas; o vermelho e o laranja às nossas festas populares. A sobreposição de formas e cores remete ao encontro de raças e culturas, ao sincretismo, tão importante no país.”

2 comentários:

Jordi Castan disse...

Faltou quem sabe acrescentar que a marca España, tem uma influencia marcante e total do pintor Joan Miró.
Um unico referencial...como no caso do Brasil em que a influencia foi a do Burle Marx...
É engraçado a marca Brasil fica melhor quanto mais o tempo passa.
Eu gostei...alias gosto dela hoje mais do que gostei ontem.

MiguelCañas disse...

Amigo, na verdade comentei na sequência, no post "Uma Marca para Joinville" (http://m2arquitetura.blogspot.com/2008/09/marca-cidade.html).
Na verdade, não descobri ao certo se é uma releitura do traço de Miró ou se é uma apropriação de seu desenho real transformado em marca. Obrigado pelo comentário! Grande abraço!!