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setembro 01, 2009

O grafite à noite

Quando a noite chega, as sombras criadas pela luz dos postes, criam todo um cenário para as pinturas de Trase (TR853-1™) de Cingapura.

Os desenhos grafitados ganham uma interessante perspectiva quando anoitece, pois com movimento da composição, eles interagem diretamente com a cidade unindo skate e arte.




janeiro 27, 2009

Banksy, o desaforado bem-humorado

"Nunca ninguém me ouviu, até não saberem quem eu era."


Ainda nas férias, recebi do antenado amigo Jordi o link deste site com alguns stencils super bacanas, críticos e inteligentes. Fui saber recentemente, através de uma matéria da revista Piauí, que os desenhos eram "daquele grafiteiro misterioso que ninguém sabe quem é", que raras vezes assina uma obra e quando o faz escreve "Banksy".
Em outubro de 2008, numa empena cega de Nova York, Banksy pintou esse rato da foto acima com a frase "Que eles comam crack", fazendo uma alusão ao crack da bolsa, à droga e a frase atribuída a Maria Antonieta -"Que eles comam brioche"- quando foram contar à rainha que os pobres não tinham nem pão pra comer.




"Os que mandam nas cidades não entendem o grafite porque acham que nada pode existir, a não ser que dê lucro."..."Me manifesto anonimamente para exigir coisas nas quais ninguém acredita, como paz, justiça e liberdade."..."O grafite só é perigoso para três tipos de gente: políticos, publicitários e grafiteiros."..."O mundo da arte é a maior piada que existe. É um asilo para os superprivilegiados, os pretensiosos e os fracos."..."Todo artista está preparado para sofrer por sua arte, mas por que tão poucos estão preparados para aprender a desenhar?"

Os pensamentos acima são de Banksy, o Zorro da atualidade, como já o apelidaram. Ninguém nunca o viu (diz a lenda que apenas um jornalista do Guardian de Londres), é inglês, só dá entrevistas por telefone e e-mail, desenha as mazelas da sociedade de maneira muito inteligente, tem quatro livros e inventou um modo de ficar rico com o grafite político. Os pais dele não sabem da fama do filho: "Eles pensam que sou um decorador e pintor".


Palestina, 2005, no muro construído pelo governo de Israel.


Nova Orleans, 2008, no governo do Bush.


Londres, 2005, no governo de Tony Blair.

Se procurar no Wikipédia vai estar lá: "Sempre provocativo, sua obra é carregada de conteúdo social expondo claramente uma total aversão aos conceitos de autoridade e poder.
Recentemente, ele trocou 500 CDs da cantora Paris Hilton por cópias adulteradas em lojas de Londres, e colocou no parque de diversões Disney uma estátua-réplica de um prisioneiro de Guantánamo.

Em telas e murais faz suas críticas, normalmente sociais, mas também comportamentais e políticas, de forma agressiva e sarcástica, provocando em seus observadores, quase sempre, uma sensação de concordância e de identidade."









Mais no site do artista.

janeiro 13, 2009

Graffiti Made in Joinville

Acadêmicos do primeiro ano do curso de design da Univille estão transformando os muros da Cidadela Cultural Antarctica em uma verdadeira mostra de graffiti a céu aberto. O projeto chamado "Cidade e Urbanização", liderado pelo professor Roy Schulenburg e por Alena Marmo deverá continuar em março e vai até abril, dando a oportunidade aos alunos desenvolverem o que aprenderam em sala de aula e à cidade a chance de conhecer um pouco mais sobre essa manifestação artística questionadora e de senso crítico apurado, muitas vezes mal interpretada (ver post sobre a Choque Cultural). Parabéns à turma pela iniciativa. Esperemos que esta idéia se repita em outros muros da cidade! (...falando nisso amigo, os daqui seguem à disposição).

Deu no Jornal ANotícia. Fotos de Jessé Giotti.

outubro 01, 2008

Choque de Arte Urbana


A Choque Cultural é uma galeria de São Paulo especializada em divulgar obras de arte urbana, como trabalhos de tatoos, design gráfico, ilustrações e especialmente grafite. No dia seis de setembro a Choque estava promovendo uma mostra de trabalhos de grandes nomes do grafite brasileiro, quando foi invadida por um grupo de 30 pixadores.

Segundo o grupo, o movimento de invasão chamado “Pixação: Arte Ataque Protesto”, foi um protesto à "comercialização, institucionalização e domesticação da Cultura de Rua" por parte dos galeristas e do Poder Público e alegam que a galeria não representa a cultura urbana da street art. Além das dependências físicas da galeria, cerca de vinte obras lá expostas também foram vítimas do ataque e uma obra do artista Speto foi danificada. A galeria entrou com uma representação na polícia alegando prejuízos entre dez e quinze mil reais.


A ação foi comentada durante todo o mês nos principais jornais do país e na Internet, com opiniões favoráveis e contrárias à invasão. Provavelmente siga dando o que falar. Afinal, muitas mensagens podem ser lidas nas entrelinhas do ocorrido, principalmente as que dizem respeito às diferenças entre grafite e pixação, seus significados e valores.

De acordo com a Folha de S.Paulo, a ação foi organizada - via email - por Rafael Guedes Augustaitiz (Rafael Pixobomb), o mesmo artista que em julho deste ano tinha sido expulso da Faculdade de Belas Artes (SP) por ter realizado uma ação semelhante nas instalações do curso.


A convocatória para o manifesto foi feita através de um flyer chamado “ATTACK PART 2: A CAMINHO DA REVOLUÇÃO 2008” (imagem abaixo). Os pixadores criticam o fato da galeria, que é voltada à arte underground e de rua, não expor obras de pixadores por considerar que "pixo é na cidade, não na galeria”.

Mas afinal, o que é arte urbana? Será que a ilegalidade desses trabalhos é a principal característica do movimento de arte urbana? Ou seria a estética, o traço, uma ideologia ou o lugar onde é feita que a define? Teria hoje o grafite status de arte, digna de galeria, e a pixação seria apenas um ato de vandalismo? Por quê? Mas se ambos são movimentos de rua, de massas, poderíamos retirá-los de seu meio natural e de origem para serem apreciados com exclusividade por uma minoria capaz de pagar caro pelos ingressos dos museus?

Por definição o grafite e a pixação só existem na rua. Esta seria, portanto, a própria galeria. Uma galeria que não pode ser comercializada. Por outro lado, os trabalhos de grandes grafiteiros brasileiros são hoje reconhecidos internacionalmente e levaram o nome do País e sua arte para todo o mundo. Elevaram o grafite, educaram e ensinaram às pessoas a perceberem, compreenderem e aceitarem o grafite como forma de arte, manifestação artística e inclusão social.

O fato é que nos últimos anos a arte de rua tem se tornado figurinha carimbada nas principais galerias do planeta, movimentando milhões de dólares. O auge deste momento foi a exibição ao ar livre “Street art at Tate Modern”, que começou em maio deste ano e foi até setembro, em um dos principais museus do mundo de arte moderna: o Tate Modern, em Londres. Os desenhos gigantescos de 25 metros de altura de seis artistas de rua foram pintados sobre os centenários tijolinhos à vista do edifício. Entre eles estão os brasileiros Os Gêmeos e Nunca.


Muitos grafiteiros começaram com a pixação antes de experimentar o grafite, que hoje conquistou seu espaço. Este, para alguns tornou-se modismo e por isso vendável. Talvez aconteça o mesmo com o pixo no futuro, quem sabe? Talvez, a invasão que ocorreu na Choque seja um sinal de que a pixação também quer ser ouvida. O que não resta dúvida é que a ação dos pixadores alimentará ainda mais a discussão dos eternos debates sobre arte urbana e seus meios de exposição.

Alguém já disse uma vez: "Ratos fazem arte, artistas fazem dinheiro". Será?