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outubro 01, 2008

Choque de Arte Urbana


A Choque Cultural é uma galeria de São Paulo especializada em divulgar obras de arte urbana, como trabalhos de tatoos, design gráfico, ilustrações e especialmente grafite. No dia seis de setembro a Choque estava promovendo uma mostra de trabalhos de grandes nomes do grafite brasileiro, quando foi invadida por um grupo de 30 pixadores.

Segundo o grupo, o movimento de invasão chamado “Pixação: Arte Ataque Protesto”, foi um protesto à "comercialização, institucionalização e domesticação da Cultura de Rua" por parte dos galeristas e do Poder Público e alegam que a galeria não representa a cultura urbana da street art. Além das dependências físicas da galeria, cerca de vinte obras lá expostas também foram vítimas do ataque e uma obra do artista Speto foi danificada. A galeria entrou com uma representação na polícia alegando prejuízos entre dez e quinze mil reais.


A ação foi comentada durante todo o mês nos principais jornais do país e na Internet, com opiniões favoráveis e contrárias à invasão. Provavelmente siga dando o que falar. Afinal, muitas mensagens podem ser lidas nas entrelinhas do ocorrido, principalmente as que dizem respeito às diferenças entre grafite e pixação, seus significados e valores.

De acordo com a Folha de S.Paulo, a ação foi organizada - via email - por Rafael Guedes Augustaitiz (Rafael Pixobomb), o mesmo artista que em julho deste ano tinha sido expulso da Faculdade de Belas Artes (SP) por ter realizado uma ação semelhante nas instalações do curso.


A convocatória para o manifesto foi feita através de um flyer chamado “ATTACK PART 2: A CAMINHO DA REVOLUÇÃO 2008” (imagem abaixo). Os pixadores criticam o fato da galeria, que é voltada à arte underground e de rua, não expor obras de pixadores por considerar que "pixo é na cidade, não na galeria”.

Mas afinal, o que é arte urbana? Será que a ilegalidade desses trabalhos é a principal característica do movimento de arte urbana? Ou seria a estética, o traço, uma ideologia ou o lugar onde é feita que a define? Teria hoje o grafite status de arte, digna de galeria, e a pixação seria apenas um ato de vandalismo? Por quê? Mas se ambos são movimentos de rua, de massas, poderíamos retirá-los de seu meio natural e de origem para serem apreciados com exclusividade por uma minoria capaz de pagar caro pelos ingressos dos museus?

Por definição o grafite e a pixação só existem na rua. Esta seria, portanto, a própria galeria. Uma galeria que não pode ser comercializada. Por outro lado, os trabalhos de grandes grafiteiros brasileiros são hoje reconhecidos internacionalmente e levaram o nome do País e sua arte para todo o mundo. Elevaram o grafite, educaram e ensinaram às pessoas a perceberem, compreenderem e aceitarem o grafite como forma de arte, manifestação artística e inclusão social.

O fato é que nos últimos anos a arte de rua tem se tornado figurinha carimbada nas principais galerias do planeta, movimentando milhões de dólares. O auge deste momento foi a exibição ao ar livre “Street art at Tate Modern”, que começou em maio deste ano e foi até setembro, em um dos principais museus do mundo de arte moderna: o Tate Modern, em Londres. Os desenhos gigantescos de 25 metros de altura de seis artistas de rua foram pintados sobre os centenários tijolinhos à vista do edifício. Entre eles estão os brasileiros Os Gêmeos e Nunca.


Muitos grafiteiros começaram com a pixação antes de experimentar o grafite, que hoje conquistou seu espaço. Este, para alguns tornou-se modismo e por isso vendável. Talvez aconteça o mesmo com o pixo no futuro, quem sabe? Talvez, a invasão que ocorreu na Choque seja um sinal de que a pixação também quer ser ouvida. O que não resta dúvida é que a ação dos pixadores alimentará ainda mais a discussão dos eternos debates sobre arte urbana e seus meios de exposição.

Alguém já disse uma vez: "Ratos fazem arte, artistas fazem dinheiro". Será?

agosto 15, 2008

A Costura do Invisível 2


Dando sequência ao post anterior, vale registrar aqui a exposição "Revolver" que esteve no Museu Oscar Niemeyer [MON], em Curitiba, de maio a agosto do ano passado. A metroquadrado esteve em peso prestiginando a instalação (fotos em anexo), na qual "...três esquilos da mongólia sintetizaram questionamentos sobre conceitos de arte...", como diz o release. Os pequenos animais reproduziram o feito do SPFW de 2004.


Abaixo trechos do release que pode ser lido integralmente no site do museu. Fotos dos esquilos são Alexandre Perroca; demais fotos by metroquadrado.


[ Abrigados em uma grande maquete do Olho, de 4m por 1,70m, estão três esquilos da mongólia, a destruir os bonecos de papel machê e seus cinco delicados vestidos de papel vegetal, em tamanho miniaturizado de 30 cm. Nesse ambiente, a maquete do Olho repete-se outras duas vezes, uma dentro da outra.

O olhar do espectador caminha entre o real, que acontece dentro da maquete, e o virtual, que está no entorno. Esse olhar e o que acontece dentro da maquete são registrados por câmeras embutidas. Editadas e manipuladas, as imagens são projetadas, sem ordem de tempo e espaço, em uma parede expositiva, de 6m de altura por 28m de comprimento, colocada à frente da maquete. Como resultado, são obtidas imagens hiper-realistas, granuladas, disformes e imperfeitas. Um halo de luz colorida atrás da parede chama a atenção para uma espécie de “fast-food” da arte. Todos os “produtos”, identificados com a logomarca da mostra, custam R$ 199,00 e podem ser adquiridos.

Ao lado da maquete, uma grande vitrine exibe, em tamanho real, a reprodução dos cinco modelos de papel. No vidro, dezenas de palavras, aparentemente aleatórias em forma de poesia concreta, indicam sentidos de conceitos trabalhados. Todo ambiente é envolvido por um ruído, criado em computador, e por uma iluminação que valoriza as linhas de Niemeyer.] mais...