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A Choque Cultural é uma galeria de São Paulo especializada em divulgar obras de arte urbana, como trabalhos de tatoos, design gráfico, ilustrações e especialmente grafite. No dia seis de setembro a Choque estava promovendo uma mostra de trabalhos de grandes nomes do grafite brasileiro, quando foi invadida por um grupo de 30 pixadores.
Segundo o grupo, o movimento de invasão chamado “Pixação: Arte Ataque Protesto”, foi um protesto à "comercialização, institucionalização e domesticação da Cultura de Rua" por parte dos galeristas e do Poder Público e alegam que a galeria não representa a cultura urbana da street art. Além das dependências físicas da galeria, cerca de vinte obras lá expostas também foram vítimas do ataque e uma obra do artista Speto foi danificada. A galeria entrou com uma representação na polícia alegando prejuízos entre dez e quinze mil reais.
Segundo o grupo, o movimento de invasão chamado “Pixação: Arte Ataque Protesto”, foi um protesto à "comercialização, institucionalização e domesticação da Cultura de Rua" por parte dos galeristas e do Poder Público e alegam que a galeria não representa a cultura urbana da street art. Além das dependências físicas da galeria, cerca de vinte obras lá expostas também foram vítimas do ataque e uma obra do artista Speto foi danificada. A galeria entrou com uma representação na polícia alegando prejuízos entre dez e quinze mil reais.
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A ação foi comentada durante todo o mês nos principais jornais do país e na Internet, com opiniões favoráveis e contrárias à invasão. Provavelmente siga dando o que falar. Afinal, muitas mensagens podem ser lidas nas entrelinhas do ocorrido, principalmente as que dizem respeito às diferenças entre grafite e pixação, seus significados e valores.
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De acordo com a Folha de S.Paulo, a ação foi organizada - via email - por Rafael Guedes Augustaitiz (Rafael Pixobomb), o mesmo artista que em julho deste ano tinha sido expulso da Faculdade de Belas Artes (SP) por ter realizado uma ação semelhante nas instalações do curso.

A convocatória para o manifesto foi feita através de um flyer chamado “ATTACK PART 2: A CAMINHO DA REVOLUÇÃO 2008” (imagem abaixo). Os pixadores criticam o fato da galeria, que é voltada à arte underground e de rua, não expor obras de pixadores por considerar que "pixo é na cidade, não na galeria”.
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Mas afinal, o que é arte urbana? Será que a ilegalidade desses trabalhos é a principal característica do movimento de arte urbana? Ou seria a estética, o traço, uma ideologia ou o lugar onde é feita que a define? Teria hoje o grafite status de arte, digna de galeria, e a pixação seria apenas um ato de vandalismo? Por quê? Mas se ambos são movimentos de rua, de massas, poderíamos retirá-los de seu meio natural e de origem para serem apreciados com exclusividade por uma minoria capaz de pagar caro pelos ingressos dos museus?

Por definição o grafite e a pixação só existem na rua. Esta seria, portanto, a própria galeria. Uma galeria que não pode ser comercializada. Por outro lado, os trabalhos de grandes grafiteiros brasileiros são hoje reconhecidos internacionalmente e levaram o nome do País e sua arte para todo o mundo. Elevaram o grafite, educaram e ensinaram às pessoas a perceberem, compreenderem e aceitarem o grafite como forma de arte, manifestação artística e inclusão social.
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O fato é que nos últimos anos a arte de rua tem se tornado figurinha carimbada nas principais galerias do planeta, movimentando milhões de dólares. O auge deste momento foi a exibição ao ar livre “Street art at Tate Modern”, que começou em maio deste ano e foi até setembro, em um dos principais museus do mundo de arte moderna: o Tate Modern, em Londres. Os desenhos gigantescos de 25 metros de altura de seis artistas de rua foram pintados sobre os centenários tijolinhos à vista do edifício. Entre eles estão os brasileiros Os Gêmeos e Nunca.
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Muitos grafiteiros começaram com a pixação antes de experimentar o grafite, que hoje conquistou seu espaço. Este, para alguns tornou-se modismo e por isso vendável. Talvez aconteça o mesmo com o pixo no futuro, quem sabe? Talvez, a invasão que ocorreu na Choque seja um sinal de que a pixação também quer ser ouvida. O que não resta dúvida é que a ação dos pixadores alimentará ainda mais a discussão dos eternos debates sobre arte urbana e seus meios de exposição.
Alguém já disse uma vez: "Ratos fazem arte, artistas fazem dinheiro". Será?
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