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agosto 15, 2008

A Costura do Invisível 2


Dando sequência ao post anterior, vale registrar aqui a exposição "Revolver" que esteve no Museu Oscar Niemeyer [MON], em Curitiba, de maio a agosto do ano passado. A metroquadrado esteve em peso prestiginando a instalação (fotos em anexo), na qual "...três esquilos da mongólia sintetizaram questionamentos sobre conceitos de arte...", como diz o release. Os pequenos animais reproduziram o feito do SPFW de 2004.


Abaixo trechos do release que pode ser lido integralmente no site do museu. Fotos dos esquilos são Alexandre Perroca; demais fotos by metroquadrado.


[ Abrigados em uma grande maquete do Olho, de 4m por 1,70m, estão três esquilos da mongólia, a destruir os bonecos de papel machê e seus cinco delicados vestidos de papel vegetal, em tamanho miniaturizado de 30 cm. Nesse ambiente, a maquete do Olho repete-se outras duas vezes, uma dentro da outra.

O olhar do espectador caminha entre o real, que acontece dentro da maquete, e o virtual, que está no entorno. Esse olhar e o que acontece dentro da maquete são registrados por câmeras embutidas. Editadas e manipuladas, as imagens são projetadas, sem ordem de tempo e espaço, em uma parede expositiva, de 6m de altura por 28m de comprimento, colocada à frente da maquete. Como resultado, são obtidas imagens hiper-realistas, granuladas, disformes e imperfeitas. Um halo de luz colorida atrás da parede chama a atenção para uma espécie de “fast-food” da arte. Todos os “produtos”, identificados com a logomarca da mostra, custam R$ 199,00 e podem ser adquiridos.

Ao lado da maquete, uma grande vitrine exibe, em tamanho real, a reprodução dos cinco modelos de papel. No vidro, dezenas de palavras, aparentemente aleatórias em forma de poesia concreta, indicam sentidos de conceitos trabalhados. Todo ambiente é envolvido por um ruído, criado em computador, e por uma iluminação que valoriza as linhas de Niemeyer.] mais...



A Costura do Invisível


Em junho de 2004, durante a São Paulo Fashion Week, o estilista brasileiro Jum Nakao desfilou, diante de uma platéria de mil e duzentas pessoas, uma coleção inteira feita unicamente de papel, com referências estéticas do final do século XIX. As modelos, em suas roupas de papel rendado, extremanente delicadas e elaboradas, utilizavam perucas de plástico estilo Playmobil.
Ao final do desfile, quando tudo parecia estar decifrado, as frágeis roupas foram destruídas pelas próprias modelos em plena passarela, fazendo com que o público se tornasse parte de todo o processo criativo. O ousado trabalho consumiu meia tonelada de papel vegetal e 700 horas de rabalho de uma equipe de mais de cem pessoas. Todo o trabalho foi mantido em segredo, inclusive das modelos, que não sabiam que teriam que rasgar as roupas. O desfile inusitado virou um livro, editado pela Senac, e um DVD, intitulado de "A Costura do Invisível".


O documentário nos fala de todo processo de desenvolvimento da coleção de papel, considerada pela SPFW como o desfile da década de moda no Brasil, e um dos mais importantes desfiles do século, pelo Museu de Moda de Paris. Mostra como foi gerado o conceito e pensados todos os detalhes: dos momentos da trilha sonora à cenografia.

Vi o filme há pouco tempo, por indicação do amigo designer Roy (você pode comprar o DVD pela internet). Nele vê-se Nakao esbanjando generosidade e doação, qualidades que segundo ele caracterizam um criador. Deixa claro no documentário que o trabalho coerente é aquele para o qual o artista transfere sua alma, e que mais do que o produto em si o que mais importa é a razão de ser das coisas, os conceitos e significados intrínsecos.

"Precisamos desnudar a nossa alma para revelar a capacidade de sermos leves, sonhar com indizíveis, impossíveis, inexplicáveis, indefiníveis. Há um possível ainda invisível no real."